terça-feira, 19 de março de 2013

Sobre o futuro estádio em Itaquera

Ultimamente, Andrés Sanchez tem ameaçado: se o empréstimo (!) do BNDES e os CIDs da Prefeitura não saírem em alguns dias, as obras do futuro estádio do Corinthians serão paralisadas e a cidade de São Paulo, lamento, ficará fora da Copa de 2014. 

Como aqui, diferentemente do que ocorre em boa parte dos blogs corinthianistas que costumo ler, ninguém freqüenta assiduamente o Parque São Jorge (ninguém aqui vive o dia-a-dia político do clube ou é cupincha de alguém - quer da oposição, quer da situação, quer de sei lá mais quem), só o que nos resta é tentar juntar as migalhas que lemos a respeito por ai. 

E, considerando apenas o que chega até nós, pobres mortais, a coisa funciona mais ou menos assim: 

1- O Timão anunciou, no ano de seu centenário, o projeto para um estádio de 48 mil lugares, ao custo aproximado de R$ 400 milhões.

2- Semanas depois, o futuro estádio foi aclamado pelo poder público como a salvação da Copa do Mundo na cidade de São Paulo - o que, todavia, exigiria adaptações que mais do que dobrariam seu custo, alcançando cifra superior a R$ 800 milhões.

3- Um empréstimo (!!) do clube junto ao BNDES, tão comum em obras desse vulto,  já estava previsto no projeto original do Corinthians, mais modesto. 
Contudo, o "fato novo" - necessidade de ampliação da capacidade do estádio e sua adaptação aos padrões FIFA - não poderia ser suportado unicamente pelo Corinthians, visto que a inclusão de seu futuro estádio na Copa de 2014 atenderia unicamente aos interesses políticos e econômicos dos entes federativos  envolvidos, Estado e Município de São Paulo. 
Para tanto, então, ficou definida a emissão, pela Prefeitura, de R$ 420 milhões em Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs). Esse seria, dentro da "engenharia financeira" costurada para a construção do estádio, o mecanismo pelo qual a Prefeitura seria capaz de suportar o custo das  intervenções sobre o projeto original, de modo a atender às determinações da Dona FIFA. 

4- Desde então, a raivosa massa anti-corinthiana, açulada pela imprensa canalha e mal-intencionada, tem ladrado contra o "uso de dinheiro público" na construção de um estádio para o Timão. 
E, aí, vem à tona toda aquela bobajada com a qual já estamos até acostumados: "Lula", "Petralhas", "Rede Globo", "Time do Mal" e blá blá blá. Uma salada maluca de preconceitos e teorias conspiratórias.

A propósito:






5- Porém, o BNDES não empresta (!!!) recursos diretamente a clubes de futebol. Clube nenhum bate lá na porta dos hômi e volta para casa com o dinheiro nos borná. Nem mesmo, vejam bem, o mais organizado e estruturado clube brasileiro da atualidade - situado à Rua São Jorge, nº 777, SP/SP.
Para viabilizar o empréstimo (!!!!), portanto, seria necessária uma triangulação com a Odebrecht, construtora encarregada por tocar a obra. 
Somente assim a grana sairia.

6- A Odebrecht, porém, de olho na receita que futuramente será gerada pelo estádio do Timão, não apresentou as garantias consideradas satisfatórias pelo banco federal - de modo que, com quase 70% da obra já concluída, o tal do empréstimo (!!!!!), até o momento, ainda não saiu.

7- E, aí, chegamos à fase atual do jogo: a construtora tenta nos forçar goela abaixo um contrato semelhante ao que a WTorre empurrou na bunda do Guarani da Capital - que, dizem, passará trinta anos sem ver um único centavo da bilheteria gerada por sua futura Arena. Já o Corinthians busca, a todo custo, manter-se como único gestor do estádio que será construído - de modo a não perder, durante as próximas décadas, uma de suas mais importantes e promissoras fontes de caixa.
Para pressionar o Timão, a construtora tem afirmado que somente apresentará as garantias exigidas pelo BNDES caso passe a integrar o grupo gestor do futuro estádio. Traduzindo: só fará sua parte pela liberação do empréstimo (!!!!!!) caso passe as próximas décadas mamando na maior mina de ouro do futebol brasileiro (e uma das maiores do futebol mundial).
Já o contragolpe corinthiano, tudo indica, consiste em pressionar o Governo Federal a liberar o empréstimo (!!!!!!!) mesmo sem que a "parceira" ofereça todas as garantias exigidas - ameaçando, para isso, atrasar o cronograma da obra, com o que privaria Estado e Município de terem sua tão sonhada Copa.

Resumidamente, é isso...



Dúvidas sinceras do blogueiro


a) Terá realmente existido um projeto original, mais modesto, ao custo de "apenas" R$ 400 milhões? Ou será que tudo não passou de um "migué", sem o qual o estádio do Timão não sairia de jeito nenhum??

b) Caso o tal projeto tenha realmente existido, estaria, de fato, a direção do clube disposta a retomá-lo? Ou tudo não passa de blefe?
O Timão manterá essa ameaça até o fim, caso o empréstimo não saia?? A construtora, creio que manterá...

(minha torcida: que o Corinthians faça valer sua palavra, deixe a cidade de São Paulo fora da Copa, readapte seu estádio ao projeto original e mande o restante do universo às favas. Os anti, como sempre, que se fodam!)

c) Se, afinal, quase 70% da obra já está concluída sem que, até o momento, um único centavo de dinheiro público tenha sido sequer emprestado (!!!!!!!!), como pode a canalhagem anti-corinthiana dizer o que diz sem ao menos enrubescer?


9 comentários :

  1. que fracasso hein? ninguém comenta essa porra.

    ResponderExcluir
  2. Esse Andrés Sanchez só quer aparecer as custas do Corinthians.

    Em boca calada não entra mosca, deixa o estádio em paz Andrés!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo que ele é carreirista, mas é inegável que fez - e ainda faz - muito pelo Timão.

      Excluir
  3. Acabei de conhecer o site. Na verdade, eu pretendia criar a minha própria "Jihad corinthiana", mas acabei descobrindo que já existia. Aliás, descobri que compartilhamos muitas opiniões em comum a respeito do Timão e de Futebol. Obrigado pelo blog! Já está favoritado.

    ResponderExcluir
  4. Só pra constar, é muito melhor do que eu seria capaz de fazer. Novamente obrigado!

    ResponderExcluir
  5. Muito bem feito este texto, gostei muito.
    Parabéns!

    ResponderExcluir

Comentários ofensivos ao Coringão serão DEMOCRATICAMENTE excluídos, sem exceção. Noves fora, a palavra é sua.