quarta-feira, 12 de junho de 2013

E-qui-lí-brio

Histeria de parte a parte     Das quatro últimas partidas, atolado de trabalho até o pescoço, só consegui assistir a uns 3/4 do festival de gols perdidos contra o Cruzeiro. Mesmo assim, o fiz no saguão de um hotel em Salvador, distante uns 5  ou 6 metros da tevezinha de 26 polegadas - o que, quando muito, permitia-me acompanhar apenas à movimentação dos atletas, pois da bizarra bola laranja eu não via nem a cor.

De modo que não me sinto nem um pouco à vontade para cornetar comentar, especificamente, sobre o - ok: lamentável - desempenho do time nesses jogos. 

Contudo, há algo nessas primeiras rodadas de Brasileirão que não posso me furtar a comentar: como anda histérica a Fiel Torcida, hein?! Pelamor!!
A julgar pela recente reação de blogueiros e comentadores corinthianistas que, regularmente, acompanho, diria que a Nação parece, quase sem exceção, ter-se dividido entre corneteiros extremados e pollyanas incorrigíveis.

Menos, senhores, muito menos, por favor. Nas palavras do próprio pomo da discórdia: e-qui-lí-brio.

Afinal, os defensores de Tite têm razão quando refutam o rótulo de burro sortudo a ele atribuído; ou, ainda, quando recusam o argumento de que, com a excepcional estrutura oferecida e a calmaria atualmente reinante no clube, até mesmo eu ou você nos tornaríamos técnicos de sucesso.
Empiricamente, insisto, críticas assim, tão extremadas, não se sustentam. A julgar pelos resultados, Tite é, sim, o melhor técnico do futebol brasileiro na atualidade. Senão, fique à vontade: aponte-me outro.

Ademais, não tem nem um mês que conquistamos o Paulistão. Somos os atuais campeões do mundo e das Américas. Você, que pede a saída de Tite, sinceramente, vê alguma possibilidade de que isso aconteça? Sério mesmo que, se fosse dirigente do Timão, você o demitiria hoje? Mas com que argumento, afinal?

Por outro lado, os fãs incondicionais do Seu Adenor, talvez na esteira do recrudescimento das críticas que, sobre ele, têm recaído, também vêm radicalizando um pouco demais na sua defesa. Ultimamente, a retaliação a quem ousa criticar o técnico é quase proporcional a de um crime de lesa-majestade: será rotulado como corneteiro, Guardiola de teclado e corinthiano de internet; acusado de não enxergar mérito algum no time (mesmo que, para isso, suas palavras precisem ser distorcidas), convidado a torcer por outra agremiação e, no limite da paranóia, tratado como corinthiano fake - um anti infiltrado na torcida, com o malévolo intuito de plantar uma crise no Parque São Jorge.

Ah, vá!... Nesses tempos estranhos em que já não se pode mais beber, fumar, comer bacon, fazer piadas de humor negro (sequer rotulá-las assim, aliás) e, pasmem!, nem mesmo agir com cavalheirismo, só o que me faltava agora era ser privado do sagrado direito de criticar o técnico do meu próprio time.

Principalmente quando, como neste caso, as críticas procedem!

E lamento, senhores, mas as críticas, sim, procedem. Afinal, é fato que, passado quase um semestre, o time ainda não encaixou em 2013. Basta assistir aos jogos para constatar que estamos a anos-luz do ótimo nível apresentado ano passado.
E notem que , ao mencionar o futebol praticado em 2012, não estamos "exigindo que o Corinthians jogue futebol arte" (como, por vezes, contra-argumenta o exaltado fã-clube de Tite), mas apenas que continue exibindo o robusto, consistente e, não raro, horroroso futebol de resultados que, até dezembro, a equipe vinha apresentando.

Contudo, é inquestionável que, salvo em duas ou três partidas isoladas, não temos  mais visto aquela marcação alta, que se tornou tão característica desta equipe, a sufocar a saída de bola adversária. No meio-campo, não apenas tivemos agravada a deficiência criativa que já percebíamos em anos anteriores como ainda perdemos em combatividade. Desta forma, com a zaga mais exposta (e tendo os alas, que nunca foram nenhuma Brastemp, somado mais uma primavera), nossas laterais se tornaram verdadeiras avenidas, sistematicamente exploradas pelo ataque adversário.

Na frente, Emerson nunca foi grande finalizador, Romarinho idem (e, atualmente, ainda vive má fase técnica), a bola parou de chegar em Guerrero e, quando chega em Pato, encontra nele um atacante que parece viver grave crise de autoconfiança.

Problemas que, em maior ou menor escala, passam todos pelas mãos do treinador - que não apenas já demonstrou, num passado recente, ter totais condições de desembaraçá-los, como é remunerado, e muito bem, justamente para fazê-lo.
Caso contrário, serei obrigado a aceitar o, para mim, ilógico argumento de que, "com a atual estrutura, eu ou você também poderíamos" etc, etc.

* * * * * 

Maloqueiro de boutique     Ultimamente, outro tema bastante recorrente nos blogs corinthianistas tem sido um suposto movimento de bambinização da torcida, cujo perfil sócio-econômico-comportamental vem se assemelhando, cada vez mais, ao do público de esportes tidos por elitistas, como o vôlei ou a F1.

Enfim, torcida festiva e de modinha, tal como, historicamente, vemos no clube da Vila Sônia.

Compreendo e concordo com boa parte dos argumentos. Porém, extremo por extremo, sem dúvida ainda prefiro o novo perfil de freqüentadores do Pacaembu à selvageria que, citando apenas alguns exemplos recentes, já expulsou do Parque São Jorge craques como Edilson Capetinha, Tevez e Ronaldo Fenômeno.

T'aí mais um caso no qual precisamos, urgentemente, encontrar retomar o ponto de equilíbrio.


* * * * *

Problemática sem solucionática     Futebol está longe de ser business, como quer - ou, ao menos, quis - o Sr. Mário Gobbi. O business, evidentemente, cada vez mais passa por ele; mas sempre será apenas o meio, jamais a finalidade.

Se tivéssemos que definir o Futebol e, sobretudo, o Sport Club Corinthians Paulista numa única palavra, creio que, majoritariamente, cravaríamos paixão.

Algo quase inconciliável com esse tal de equilíbrio, diga-se.

* * * * *

Tâmos aí...



7 comentários :

  1. Eu não me considero uma "Pollyana"....
    Evidente que tem algumas coisas erradas.... O Adenor precisa se tocar que alguns jogadores não vão render o mesmo que rendiam o ano passado. Renovação já. Só que, por outro lado, eu penso que os detratores deveriam levar algumas coisas em consideração. O "treineiro" não tem culpa pelos gols que o Guerrero e o Pato perderam nos jogos contra o Goiás e o Cruzeiro. Sábado passado, tinha o desfalque de 4 jogadores importantes. Tinha o Igor voltando a jogar depois de um longo tempo. Tinha o Arão improvisado na lateral direita. Tudo isso deveria servir como atenuante. Concordo com vc que os dois lados estão abusando e se excedendo. E tem gente que parte para as ofensas pessoais. Lamentável! Tem cara que comenta a "otrocentos anos", já manifestou e comprovou seu corinthinismo e é chamado de anti. Assim também não dá. Mas dizer que um técnico multicampeão não tem nenhuma influência em tais resultados também...
    (Múcio Rodolfo)

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    1. Estava aguardando por seu protesto, Múcio. rs

      Mas na boa: não me referi a você, não. Você está entre os torcedores que motivaram aquele "quase" - e grifado, ainda - que precede o "sem exceção".

      Reconhecer os erros do Tite não equivale a pedir sua cabeça. Agora, que tem uma rapazeada aí que não tolera crítica alguma ao Adenor, isso tem.
      E, convenhamos, até o Papa já admitiu sua falibilidade, cara...

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  2. Falou tudo.

    Ninguém está contente com o futebol atual, mas creio que vai passar.

    Se tem uma coisa que não podemos reclamar do Tite é sua evolução como técnico e tenho certeza que ele sai dessa sinuca de bico.

    Ele é teimoso e demora pra cacete pra mudar o time, mas fazer o que? O Mano tão aclamado, que é um excelente técnico, tem como defeito a aproximação com o Milk e isto é pior que nosso "burro com sorte".

    Ontem a Unimed perdeu pra Lusa e o jogo do Grêmio foi horripilante.

    Está tudo aberto e ganharemos nossa sexta estrela.

    Escutei muito jogo em radinho e nem sou tão velho assim, a nova geração nem sabe o que é isso, mas o que fazer? Realmente temos que dar um tempo nessa rixa que virou a velha guarda com a moçada do face.

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    1. 1- Teimoso feito uma mula! Mas que técnico não é?

      2- Tecnicamente, prefiro - com folga - Mano que Tite. Não fosse pelo esquema Carlos Leite...

      3- Outro dia, vi no Silvinho um cara reclamar das "mocinhas lindas" que, atualmente, freqüentam o Pacaembu. Foda, né?

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  3. Concordo inteiramente, Ze Carlos. Estamos numa fase de transição tática, coincidindo com a ma fase de algumas pecas importantes do elenco... Diante disso, nosso técnico, que nao e' perfeito, inevitavelmente vai cometer erros ate atingir o padrão de qualidade que esse elenco permite. As conquistas recentes do Adenor ja o colocam na historia do clube, mas de forma alguma o torna a prova de criticas. Agora, pedir sua cabeça, por causa de um inicio ruim no Campeonato Brasileiro e' querer voltar ao amadorismo de tempos nao tao distantes. Impressionante como tem gente que parece que nao aprende com o passado...

    Quanto a suposta mudança de perfil do torcedor, nao vejo como problema a maior participação de outra faixa socio-economica no estádio (desde que nao haja a substituicao de uma pela outra, claro). No fundo a atual lua-de-mel vivida entre time e torcida so tem revelado o real perfil inclusivo e diversificado da nossa torcida.

    E nao e possível que alguém possa ver com maus olhos o fim das reações radicais e violentas que, como você bem citou, ja resultou em desmanche de muito time bom nosso. Problema de fato seria apenas um suposto mal habito com constantes vitorias, resultando em um torcedor modinha e desinteressado. Mas acho improvável diante de 100 anos de tradição da nossa torcida. Vejo mais uma evolução rumo ao tal equilíbrio que você menciona.

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    1. "Problema de fato seria apenas um suposto mal habito com constantes vitorias, resultando em um torcedor modinha e desinteressado. Mas acho improvável diante de 100 anos de tradição da nossa torcida."

      Absolutamente perfeito!

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  4. O Tite é o melhor técnico do Brasil ainda! A marcação "froxou" um pouco, mas ainda é boa. Nosso problema são as peças, algumas desgastadas e algumas que precisam sombra (laterais). As contratações (Gil, Pato e Renato Augusto)são e boas de time de ponta, mas ainda falta laterais ou pelo menos um dos bons. Com a volta de Guerreiro e Paulinho (se não for vendido juntamente com Romarinho) o time pega no breu de novo. Atenção !!! Teremos problemas com arbitragens, sutilmente já vem nos prejudicando jogo à jogo, no final das contas (38 rodadas) é possível que percamos fácil uns 10 pontos(causa " disputa pela CBF"). Toda a cobrança é pelo fato de ser o time mais arrecada no Brasil hoje (próximo a times grandes europeus) e atual campeão mundial e não podemos aceitar que fique empatando com luzinhas e outros que mal tem elenco para disputar a segundona. O pior é que praticamente já perdemos o Paulinho para Inter (20 mi Euros) ou seja 10 uma vez que metade do passe é do Corinthians (absurdo). Calma!!! Para compensar contratamos duas maravilhas (Ibson e Maldonado). Véio !! Voltaremos a ser "mais um igual aos outros" o sonho de ser o maior e mandar nas Américas está acabando. Não porque era impossível (nunca foi tão possível) mas, porque a velha politica da "vendilhança", própria de "Timécos" sem expressão internacional continua na mentalidade dos dirigentes do Timão !!

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