terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Mano Menezes, 10 rodadas depois

Pareceu uma eternidade, mas, enfim, chegamos ao final do período de adaptação projetado pela nova comissão técnica. Faz-se necessária, portanto, uma breve avaliação do trabalho realizado até aqui.

Encarregado da hercúlea tarefa de substituir um dos treinadores mais vitoriosos da história do Timão, Mano deu início à sua segunda passagem pelo clube cercado por desconfiança e tendo de enfrentar uma evidente má vontade de setores significativos da torcida.
Em que pese o fracasso de seus trabalhos mais recentes, é de se espantar que um treinador com o bom histórico que ele construiu em sua primeira passagem pela casa encontre, já de início, tamanha rejeição. Não é preciso muito esforço para perceber que, nos blogs e redes sociais, muitos preferem se lembrar dele mais pela obscura relação com o empresário Carlos Leite que pela montagem da sólida base que, anos depois, levou seu sucessor ao topo do mundo; mais pelas contratações de Souza, Bóvio e Perdigão que pelas vindas de Chicão, Willian, Leandro Castán, Alessandro, André Santos, Cristian, Elias, Jucilei, Ralf, Paulinho, Douglas (aquele, da primeira passagem), Jorge Henrique, etc.

Diante de tal cenário, Mano provavelmente entendeu ser necessário espantar o quanto antes o fantasma do antecessor, transformando-se, para isso, numa espécie de antípoda do Seu Adenor. Acreditou, muito provavelmente, que o sistema defensivo herdado de Tite fosse sólido o bastante para que pudesse queimar algumas etapas. Infelizmente, porém, ao já chegar expondo a zaga, fez com que as deficiências viessem à tona.

Num primeiro momento, não de forma tão evidente, é verdade. Aos trancos e barrancos, pois ainda sem um sistema bem definido, o time obteve êxito nas 2 primeiras rodadas do Paulistão, contra Portuguesa (f) e Paulista (c), enchendo de otimismo os torcedores mais simpáticos ao velho novo treinador – este que vos escreve, inclusive. 
Contudo, um tropeço em casa na 3ª partida oficial do ano, diante do São Bernardo, acenderia o sinal de alerta para a hecatombe que ainda estava por vir: a acachapante goleada sofrida naquele pardieiro infecto da baixada, por si só, já teria severos efeitos sobre o psicológico dos atletas; não havia necessidade alguma de, dias depois, as organizadas arremessarem o grupo num abismo, da maneira estúpida como fizeram. 
Os três resultados seguintes – derrota para Ponte Preta (f) e Bragantino (c), além de empate diante do Mogi Mirim (f) –,  portanto, não nos servem de parâmetro e devem ser creditados exclusivamente na conta dos vida loka, ponto.

Porém, o mesmo episódio que tirou de Mano e seus comandados o ambiente de trabalho (mais que isso, aliás; de Danilo, dizem, foi tirada até a segurança de seus familiares), paradoxalmente, também criou as condições objetivas para a troca de Alexandre Pato por Jádson – negócio risível se analisado exclusivamente pelo viés financeiro, porém que, tecnicamente, vem se mostrando essencial neste trabalho de reconstrução do time.

Pois Jádson, até então encostado nos Bambi, já chegou chegando: ao lado de Bruno Henrique (outro que se apresentou, fez um treino e, sem tremer, já foi pro Derby), o novo camisa 10 se encaixou com perfeição à frente dos 3 volantes, trazendo o equilíbrio que faltava ao, até então, um tanto despovoado meio-campo corinthiano. 
De quebra, ainda ajudou a recuperar o futebol de Romarinho – que, agora, vejam só, é artilheiro!

Desde então, somamos 7 pontos em nove possíveis. Melhor: mostramos, jogo a jogo, clara e sólida evolução, criando jogadas ofensivas de forma mais organizada e apresentando maior volume de jogo.

No empate por 1 a 1 diante dos Porco (c) - estréia de Jádson, Bruno Henrique e do novo e promissor sistema com 3 volantes -, o grupo, mesmo ainda esfacelado, visivelmente sob os efeitos da invasão do CT, foi capaz de  se impor, dominando a maior parte da peleja. 
O gol sofrido nos minutos finais da partida veio justamente para punir o – exagerado, porém, dadas as circunstâncias,  compreensível – recuo da equipe e a mexida errada de Mano, que entrou com Jocinei quando o mais lógico seria Danilo (se bem que agora é fácil dizer...). E, claro, também para lembrar o técnico de que sua escolha por Felipe para a vaga do banido Paulo André havia sido, de longe, a mais infeliz. Até Ralf improvisado seria preferível, ali; definitivamente, o tal de Felipe não tem o menor cacoete para o ofício da bola. 
Mas, disso, Mano ainda precisaria de mais um jogo para se convencer...

Parêntese: teimoso, sim, como sói acontecer com qualquer técnico; mas não empacado – e, às vezes, até birrento – como seu antecessor. Feche-se.

Nas duas rodadas seguintes – e, enfim, chegamos à décima -, boas vitórias sobre Oeste (f) e Rio Claro (c). E ambas, novamente, com apresentações inspiradas da dupla Jadson / Romarinho – confirmando que, ao menos ofensivamente, Mano parece estar no caminho certo.

O que pega de verdade, até aqui, está justamente nessa última ressalva: defensivamente, o desempenho do time tem sido assustador! Mesmo jogando contra equipes que, em sua maioria, quando muito frequentam as divisões inferiores do futebol nacional, nossa zaga já foi vazada em nada menos que 16 oportunidades – média de 1,6 gol sofrido por partida (!!!). 
Fosse no Brasileirão e o fumo já teria sido insustentável...

Defensivamente, nossos laterais são péssimos e, ofensivamente, ainda sobem de maneira desordenada (com Uendel um pouco pior que Fágner nos dois quesitos), de modo que a produtividade de ambos no apoio ainda não chega a justificar as alamedas que eles têm deixado às suas costas.
Ralf nunca mais foi o mesmo na proteção à zaga e, como é de domínio público, jamais será aquele volante que sabe sair jogando - como é tão ao gosto do novo treinador. Aparentemente, ainda está tentando se encontrar em campo e, talvez, seja mesmo absolutamente incapaz de se situar nesse sistema que o exige mais adiantado.
Algo me diz que, com o retorno de Renato Augusto (um dia, será?), o banco acabará sobrando justamente para ele. Triste, claro, por tudo o que Ralf representa em nossa história recente... mas c’est la vie.

Em meio a esse cenário, Gil – que, até ontem, ainda tinha o tal de Felipe ao seu lado – se viu na necessidade de jogar por quatro e, humano que é, desesperou-se. Quem sabe com a recente entrada de Cléber (de quem ainda desconfio, diga-se), o miolo de zaga não se estabilize um pouco mais?

Em suma, a principal missão de Mano Menezes neste momento, quem diria?, consiste justamente em acertar o sistema defensivo antes que tenham início Brasileirão e Copa do Brasil. Isto feito, e com os retornos de Renato Augusto (um dia, será??) e Paolo Guerrero (se benze, meu filho!!), teremos um belo quarteto ofensivo e totais condições de brigar por título, sim.
Agora, por qual título, isso vai depender – e muito – das contratações que serão feitas (serão?) para o segundo semestre. Hoje, não temos mais um elenco, mas apenas 14 ou 15 jogadores em condições. O suficiente, talvez, para a Copa do Brasil, mas muito pouco para a maratona de 38 rodadas do Brasileirão.

Aposto no tetra da Copa do Brasil e, conseqüentemente, numa campanha preguiçosa e mediana no Campeonato Brasileiro - tal como em 2009.
Já para esse primeiro semestre, não me arrisco em prognóstico algum. Esse Paulista, como costuma dizer um velho amigo meu, "tá escuro"...


* * * * *

E que falta faz Chicão nessas horas, hein, (M)mano?

7 comentários :

  1. Vejo melhoras para nosso time em um futuro próximo... Acho que, daqui pra frente, o Mano vai ter seu trabalho comparado pelo próprio desempenho neste início de temporada, pouco a pouco o nosso querido (foi tarde) Tite está finalmente deixando o cargo. Isso será bom para o Mano e toda equipe.
    Só uma coisa eu discordo Ralf, pra mim, tem lugar garantido em qualquer time, nem Renato Augusto, nem Paulinho, nem mesmo Messi é capaz de substituí-lo a altura.... e se não tem lugar no esquema tático pra ele quem está errado é o esquema.
    Felipe sem condições.
    Cleber tem estrela, na estreia, fase difícil do time, fez um gol, agora na ''reestreia'' outro gol.... acho que pode pegar a vaga de zagueiro artilheiro (nada como Chicão, mas estou ancioso pra acompanhar)

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    1. Sem dúvida, Ralf é um monstro, Luis! Mas desconfio que perderá espaço nesse esquema, sim...

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    2. Durante toda trajetória dele no time, ele foi o mais constante do time, sempre com desempenho bom ou ótimo... mesmo nos piores jogos do ano passado ele foi bem, as vezes o único jogando bem....
      E se o Mano manter 3 volantes e queimar ele vai ser um erro enorme.
      No meu time base tem Cassio, Gil, Ralf e Guerrero.... o resto o Mano pode completar com quem der certo.

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    3. Do time que iniciou 2013 para cá, sobrou Ralf, Guerreiro e Romarinho (considerando só os titulares). Ralf não irá para o banco enquanto não for vendido mas provavelmente será. Guerreiro corre o risco de perder a posição para Luciano, logo: por ser um jogador caro também poderá ser vendido. Romarinho pelo visto está sendo uma pedra no sapato dos negociantes, mas é uma bela promessa de lucros. Conclusão: no período de 01 ano e meio, todas as posições provavelmente serão trocadas ou seja o time inteiro, sendo que Edenilson não durou 06 meses na posição. Veja como o time está quase que totalmente constituído por novas peças e que não são nossas. O maior vitrine de jogadores das Américas continua à todo vapor. Dentro do campo, não temos o que comemorar e este time não serve para disputar a Copa do Brasil apesar da competência do Mano (são astutos e pegam os melhores treinadores para fazer a roda girar). Acho otimismo de mais Zé, perdemos milhões ficando fora da libertadores e perderemos mais ficando fora da próxima fase do paulistinha. O Corinthians só anda perdendo em arrecadação e patrocínios (no mínimo uns R$ 100 mi) e quando vende jogadores é o que menos ganha e ainda fica com um buraco na posição (ou talvez um espaço a mais na vitrine ?). Quem está rindo, feliz da vida e ganhando muito acho que você sabe muito bem identificar !

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  2. Caros amigos de jihad.

    Na minha humilde opinião Ralf só esta abaixo de Jesus Cristo.

    Obrigado.forte abraço.
    O imperador.longa vida a jihad.

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  3. Ainda que o Corinthians contratasse Xavi, Iniesta e Schweinsteiger o Ralf ainda teria lugar jogando como zagueiro (função que ele desempenharia sem dificuldades).

    Não acho que o Mano tenha qualquer dificuldade pessoal em montar uma defesa. Na sua primeira passagem sofríamos pouquíssimos gols mesmo utilizando uma marcação mais agressiva (a linha de zagueiros passava boa parte dos jogos na altura da linha de meio campo).

    Para além do número de mudanças (já não há em nossa defesa nenhum jogador do Mundial) perdemos também os principais líderes do time. Chicão, Alessandro e mesmo Paulo André tinham importante influência no time que, me parece, perdeu suas referências. Vocês conseguem imaginar o Chicão perdendo a cabeça pq um ex-jogador em atividade disse ao pé do ouvido que o nosso time era um time de merd... ?
    Pelo contrário, Chicão e Alessandro devem ser recordistas mundiais de expulsões de adversários. Os caras ainda de bonus eram os reis da intimidação, o Neymar coitado, devia se benzer toda vez que nos enfrentava. Perdemos muito mais do que alguns bons jogadores (o que já não seria pouca coisa). Esse tipo de atitude , liderança e entrosamento são justamente o que sustentam um time.

    Ralf, Guilherme e mesmo o Gil podem dar conta de por esse time em ordem mas vai levar algum tempo.
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    Quanto aos laterias que não sabem marcar, essa é a escola do Daniel Alves e Marcelo provavelmente os mais badalados jogadores do planeta na posição. O único lateral (lateral mesmo) que me vem a cabeça é o Maicon.
    O resto é isso aí...

    Tem um video bacana sobre o assunto no youtube, onde o Sylvinho fala sobre sua época no Arsenal e ressalta justamente o fato de que no clube inglês teve um importante periodo de aprendizado para que desenvolvesse o seu jogo defensivo. Me pergunto se na condição de assistente de qq coisa que exerce, ele tem conversado com os meninos...

    Outra opção seria jogar com 3 zagueiros, que faria mais sentido com o elenco disponível, mas não é "moderno" e não vai acontecer.



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    1. Jogando onde gosta, Ralf já seria um falso 3º zagueiro, não?

      Isso que você disse sobre à (i)maturidade dos atletas me fez lembrar do Willian Capita, sorrindo cinicamente enquanto o D'Alessandro tinha um chilique. Ri muito daquilo, à época.

      Essa do Sylvinho foi bem sacada. Aliás, sem querer abusar, você podia deixar o link do vídeo aqui pra gente... ;-)

      Confio plenamente no Mano para a montagem da defesa. É só questão de tempo, as coisas irão se ajustar.

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