domingo, 27 de abril de 2014

Pacaembu


Eu imagino o torcedor - aquele tradicional frequentador de arquibancada do municipal - passando em frente ao estádio e "ouvindo" o alarido da torcida. "Timão ê ô! Timão ê ô!"; "Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians, meu amor". Fatalmente, lágrimas deslizarão pela face desse nosso amigo, ou melhor, desse nosso mano. É como passar por aquele terreno, no qual existia a casa na qual se passou a infância, e que hoje foi trocada por um arranha-céu ou por algumas lojas.

É olhar uma parte da sua existência que se foi.  Recordar as doces vitórias e as amargas derrotas. Ah, o gol do Sicupira! Ah, o gol do Bernardo! Ah, o gol do Marcelinho! Ah, aquela reação fantástica contra o Imaculado, com Everton (o primeiro da série) levando a galera à loucura. Ah, aquela virada sobre o Atlético Mineiro! O título de campeão brasileiro, justo no dia em que um dos reis do estádio havia partido. Estou falando do Sócrates! A conquista épica da América...

"Engraçado", o Pacaembu é um estádio público, ou seja, de todos, mas é como se ele tivesse um dono - não de direito, mas de fato. Acho que se as arquibancadas tivessem o dom da fala, suplicariam: "meu amor, não me abandone!" O placar eletrônico vibra quando pode assinalar um gol do time do povo e sofre quando o gol é do adversário.

Eu fui poucas vezes ao estádio. Três vezes, para ser mais exato. A primeira em 1990, quando, com um gol de Tupãzinho, vencemos o Novorizontino por 1x0. A segunda em 1993, quando viramos sobre o Noroeste de Bauru por 4x1. Foi uma partida em que o Bobô - aquele que começou na Catuense - entrou e foi o nome dela. Foi uma tarde de sábado e nesse jogo o Marques sofreu uma grave contusão, que o tirou de combate pelo resto da temporada. A última foi em 1994, quando mais uma vez vencemos, desta vez o Criciúma, por 3x2.

Bom, todos aqui devem ter um momento marcante vivido no interior deste que é o mais simpático estádio do estado. Compartilhe com a gente o seu momento marcante, o seu jogo especial.....

22 comentários :

  1. Ótimo texto Mucio, nunca tive a chance de ir só paca, saí com 1 ano da capital e fixei-me no Planalto Central com 14, sou um corintiano de radinho e TV desde sempre, mas entendo a mística.

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    1. Mesma situação que eu, só "assisti" via rádio e TV até sair do sertão e vir morar em Curitiba. Aqui fui a poucos jogos mas não deixei a desejar (2v, 1e), rarará! Nunca fui ao Pacaembu...

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    2. Sei que serei zoado, mas....
      Na primeira vez que fui ao Pacaembu, marinheiro de primeira viagem.... Bom. O meu pai foi me acordar. Nem sei como consegui dormir tal era a ansiedade. Ao levantar-me, estava colocando uma camiseta verde que eu tinha (vejam só). Meu pai me advertiu: "vc não vai lá com esta camisa!". Eu não seria doido de contrariar um conselho do meu pai. No estádio vi como a torcida tratava aqueles que trajavam aquela cor. "Tira. Tira. Tira" E a vibração quando o cidadão atendia aos gritos da torcida.
      (Múcio)

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    3. Hahaha, minha mulher também foi de verde na primeira vez, Múcio. Verde-oliva, bem discreto, mas foi. Pior que só me dei conta no meio do caminho, já... Mas, lá dentro, passou batido.

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    4. Minha lembrança que fica é parecida com a do João Luis, saía de casa 10:30 pra encontrar os outros torcedores.... muito bate-papo, especulações do resultado da partida e churrasquinho de gato pra todo mundo e partida ao meio-dia... minha cidade (São José dos Campos) fica a 90km da Capital, mas o onibus passava em algumas cidades antes e terminava de encher em são josé, a maioria dos jogos que eu assisti foram clássicos ou finais e sempre no Pacaembu, nunca vi uma derrota "pé-quente modo=on".... As vezes aconteciam umas tretas no caminho com os onibus adversários mas eu me limitava a assistir e chingar de longe hehehehe..... Há menos de um ano eu fui trabalhar na Capital, em perdízes, bem perto do Pacaembu pensei que seria mais fácil e eu assistiria aos jogos com maior frequencia.... mas pelo contrario, jogo de meio de semana já é embassado pelo cansaço e pra piorar (eu sem carro) metro/trem param de funcionar quando o jogo acaba, jogo de fim de semana eu sempre volto pra terra natal, mas as vezes retorno mais cedo pra poder assistir os jogos.
      Vamos esperar e aproveitar a nossa Nova Casa, porque "na vida é pra frente que se anda".... Pacaembu será como a Casa da Mãe sempre seremos bem-vindos.

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  2. Queridos conselheiros dessa que é nossa amada jihad.
    Sim eu tô velho fiz quarentinha esse mês e meu primeiro jogo foi em 1978 contra o comercial da capital(esse time não existe mais)....sim eu fui lá domingo contra o Flamengo....sim eu vi ganhar e vi perder....testemunhei verdadeiras catástrofes....e ironicamente as maiores glorias....não estava lá.....porém tenho muito amor pelo estádio....mais não me abalei muito não e acredito que não seja a última vez que estaremos jogando lá....haverá outras oportunidades tenho certeza....quanto aos colegas de outros lugares apenas continuem torcendo pela sagrada camisa que eu garanto que representarei juntamente com tantos outros a falta física que fazem mais lá de dentro sabemos o quanto vocês são importantes soldados do nosso Exército.
    Saudades do Pacaembu......mas grandes apóstolos deixaram tudo e o seguiram também , façamos o mesmo irmãos, pelo Corinthians com muito mais muito amor e saudades até o fim.
    Abraço a todos.

    O imperador.longa vida a jihad.

    Em tempo:bendita seja as portas da nossa nova casa pois vislumbrara o maior de todos.

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    1. 1- Pois é.... tempos atrás eu comentei num outro blog que frequentava que quando eu deixei de dar aula para assistir um jogo decisivo do Timão, o final não foi feliz. Foi assim na final da Copa do Brasil em 2008 e no mata-mata diante do Flamengo pela Cucaracha. Quando falei a respeito, alguém escreveu: "Múcio, entendo sua aflição por não saber como está a partida, mas para o bem da nação não deixe de dar aula" Foi mais ou menos assim. É por ai. Todos nós temos uma simpatia, uma mania que a gente acreditar ser necessária para levar o time à vitória. 2- Com o tempo, vamos nos acostumar com a nossa nova casa, sem esquecer é claro o Pacaembu. É só virem os títulos, as vitórias arrancadas no peito e na raça. (Múcio)

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    2. Querido colega anônimo o nome disso é compromisso.
      Não somos uma nação, somos Corinthians.
      Abraço.
      O imperador.longa vida a jihad.

      Em tempo:sim é fanatismo da pior espécie eu reconheço.

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  3. Antero Greco contestou a despedida dizendo que o Pacaembu é de todos e que a despedida trata-se apenas de uma jogada de marketing Demonstrou novamente seu clubismo cego que o impede até de perceber o quanto está debilitado emocionalmente, sem conseguir enxergar que tomamos o Pacaembu de São Paulo. Tudo bem estamos devolvendo agora, mas era nosso sim, senão de direito o era de fato e deixará saudades. A torcida ontem mesmo pela TV foi um espetáculo à parte, nada se compara !!!

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    1. Querido colega cesar....
      Eu entendo que esse grieco é um pau no cú...(todo o jornalismo esportivo de são paulo menos o Chico lang , porque é corinthiano declarado , e isso conta pontos no ranking desta nossa bastante maleável jihad).
      Isto posto , vou te falar uma coisa.....amo o Pacaembu porém testemunhei diversas vezes o Corinthians querer negociar o Pacaembu e aquela porra de associação de moradores ir contra , agora vamos ver quem precisa de quem.....capiche.....nada que o Corinthians faz Vale quando ganha é porque aconteceu isso quando perde é porque aconteceu aquilo então deixemos como está e vamos esperar....vamos deixar eles nos mostrarem como é viver sem Corinthians(estamos em vantagem, lembre-se que jamais sofreremos deste mau)....
      eu pessoalmente creio que voltaremos a jogar lá sim...algum clássico....ou sei lá.....jogo de risco....porque uma coisa eu te garanto.....vai ficar ruim de inimigo chegar lá em Corinthians City para torcer contra o poderoso viu....isso vai.

      Um abraço.

      O imperador.longa vida a jihad.

      Em tempo: quando não der para entrar vou até a porta do paca e fico de radinho.

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  4. Como todo corinthiano caipira do interior, qualquer ida ao estádio para ver o Timão jogar passava por um certo planejamento (mesmo o deslocamento não sendo um dos maiores). Por conta disso, quando criança, os poucos jogos que assisti ao vivo eram jogos mais ou menos especiais, que acabavam sendo sempre naquela coisa antiquada e desconfortável que os bambis chamam de estádio (um dos poucos erros na genial obra do grande arquiteto Vilanova Artigas).

    Quis o destino (e não apenas o destino, pois eu forcei um pouco a barra) que, ao mudar-me pra São Paulo para estudar, eu fosse morar a uma distância relativamente próxima à nossa já saudosa Maloca. E a partir disso foram os cinco anos de maior frequência minha aos estádios, sempre à pé, resolvendo assim, de última hora, sempre que a correria permitia investir um tempo no Timão. Provavelmente não terei uma rotina mais agradável do que essa até o fim da minha vida...

    O que chama mais atenção no Pacaembú, na minha opinião, é o seu incrível clima de aconchego. O apoio inexplicável que a torcida desempenha nesse Estádio (e em especial à do Timão, que soube como ninguém tirar proveito disso) não se dá pela simples ameaça ao adversário - algo relativamente simples e comum em estádios mundo a fora, bastando manter uma desconfortável distância entre a torcida e o campo. No Pacaembú a torcida abraça o time, entra em campo e joga junto.

    Já li entrevistas do arquiteto da nossa Arena, e ele diz que o Pacaembú foi uma referência importante na concepção do projeto. Ponto pra ele, agora vai do seu talento e sensibilidade ter conseguido traduzir e transpor isso para um novo local, já que algumas semelhanças até que se nota. De qualquer forma só vamos sentir isso quando o estádio encher e a torcida começar a cantar.

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  5. "Na adversidade uns desistem, enquanto outros batem recordes"

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  6. Por falar em casa.... Durante a semana correu um boato de que alguns revoltadinhos com a realização da Copa do Mundo no Patopi se dirigiriam para a nossa ARENA e iriam tocar o terror, Imediatamente os fiéis foram convocados e imediatamente atenderam o apelo e se posicionaram em defesa da nossa nova casa. Como o juízo morreu de velho, estes indignados foram cantar e outra freguesia. Ao invés de queimarem bandeira do Brasil como foi feito em outra oportunidade, passaram a queimar álbuns de figurinhas da Copa. Eu me sentiria mais impressionado se eles completassem o álbum antes de incinerá-los, afinal tascar fogo em álbum vigem é fácil.
    (Múcio Rodolfo)

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    1. Ai que burros !!! Dá um zero pra eles !!!

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    2. Sabe pensando bem poderia até ser bom.......é como simulação entende.....quando a coisa não tiver muito boa.....é......uma simulação, além do mais precisamos nos alimentar de alguma coisa né sabe como é.....alguma briga alguma confusão para mídia e os revoltadinhos também ter o que fazer.....é nosso time dá e fornece muito mais do que recebe....em todo caso se eles quiserem vir deixa vai.....a gente é da paz mais sabe como é né.....

      O imperador.longa vida a jihad.

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  7. Demorou, mas enfim achei: https://www.youtube.com/watch?v=22TLPVkrcxw

    Não foi minha estréia no Paca (essa se deu em 84, num Corinthians 2 x 1 Marília, com gente saindo pelo ladrão), mas, não sei por que, esse jogo me marcou mais. Talvez por ter sido a primeira derrota. Ou então porque, por conta dessa botinada que o Cacau levou logo no início do jogo, pude participar de uma sonora homenagem prestada pela torcida à mãe do marcador - e isso sob um olhar de aprovação do meu pai, que parecia dizer "tudo bem, aqui pode".

    Lembro-me de ter saído do Pacaembu com raiva do Waldir Peres. Não sei por que, pois, revendo agora, não acho que ele tenha tido culpa nos gols.

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    1. Em 1984 nós ganhamos, Zé Carlos. No primeiro turno foi 0x0. Mas no segundo, quando o time reagia no campeoanto, o placar foi 2x1. O gol da vitória foi no finaliznho. Eu só não me lembro de quem. Mas lembro da angústia do pessoal aqui de casa -meu pai, meu tio, meu irmão e eu- e a felicidade na hora do gol.
      (Múcio Rodolfo)

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  8. A Globo gosta de usar a imagem de Pato nas chamadas dos jogos do Tricôlor (canais abertos, fechados e internet) . Nós pagamos o direito de imagem deste Bosta e a imagem está vinculada aos bambis !!
    A nossa foi vinculada à Romarinho. Para mim tudo bem, Romarinho é mais a nossa cara mesmo, mas pagar os direitos de imagem deste viado eu não consigo engolir. Por que não venderam logo esse merda !!! Prejuízo por prejuízo, já seria caso encerrado.

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    1. Pois é Cesar, eu acho que isto deve ser motivo de piadas no Panetone. (Múcio Rodolfo)

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